A caderneta de compras era quitada a cada quinze dias. Nozito gostava de ir até a mercearia do Seu Valdir, porque sua tia, Maria Rosa, sempre dizia para ele comprar alguma “gostosura” para ele mesmo, o que quisesse.

Seu Valdir lançava item por item na caderneta, fazia as contas nas colunas “haver” e “dever”. Ele dizia a Nozito o valor do fiado de “Dona Rosinha”. Sempre que chegasse a Cr$ 6.000,00 (seis mil Cruzeiros), Seu Valdir dizia: “Nozito, avisa pra Dona Rosinha que chegou no limite da caderneta; se ela quiser aumentar o limite, precisa vir aqui, tá bom?”

Lições aprendidas com Seu Valdir

Seu Valdir era um comerciante experiente. Ele sabia que estabelecer limites para o fiado na caderneta era uma prudente estratégia para manter o crédito dentro da capacidade de pagamento de cada cliente. Também conhecia cada um, por isso o aumento do limite de cada caderneta era tão individual quanto a relação de confiança. “Cada um com seu cada um” – ele dizia.

A engenharia financeira mais básica é o controle do fluxo de caixa

Controlar o crédito dos clientes é uma estratégia da maior importância para a saúde financeira dos empreendimentos. Clientes endividados é o que nenhum empreendedor precisa. Além disso, todo o administrador sabe que é preciso gerenciar o fluxo de caixa de forma que o prazo de recebimento seja inferior ao prazo de pagamento.

Essa engenharia financeira não é possível quando os clientes têm um limite de crédito muito grande e sua capacidade de pagamento estiver comprometida.

O cartão de crédito acabou com a caderneta do Seu Valdir

Os cartões de crédito e débito são uma forma prática de se realizar transações comerciais, é evidente, mas o prazo que as operadoras de cartão de crédito precisam para receberem de seus clientes tem custo. Quanto maior a inadimplência, mais caro o custo daquele crédito.

Por outro lado, a cobrança que operadoras e bancos fazem dos comerciantes que tomam os seus serviços também tem um alto custo. A praticidade pode ser tão cara, em alguns casos, que a competitividade do empreendimento fica comprometida.

O que fazer para fugir dos altos custos do cartão de crédito ou débito?

Em tempos de crise a situação fica dramática, em especial porque vive-se em uma sociedade de consumo na qual o desemprego e a falta de liquidez dos investimentos impactam fortemente na lucratividade das organizações. Ceder aos juros dos cartões de crédito ou débito piora ainda mais um cenário já muito complexo.

As empresas têm procurado e testado outras soluções menos custosas. Registra-se um aumento de transações com boletos bancários, depósitos em conta por meio de TED (Transferência Eletrônica de Crédito), DOC (Documento de Ordem de Crédito) e até mesmo pelos meios que já vinham sendo considerados antiquados: cheques, notas promissórias e duplicatas.

E a caderneta do Seu Valdir está de volta!

Pois é, a crise trouxe de volta a nostalgia da caderneta e do fiado.

Em entrevista para a Rede Jornal Contábil (veja em https://goo.gl/kKp5VJ), a Diretora Comercial e de Marketing da consultoria Kantar Worldpanel, Christine Pereira, em 2016 detectou-se que 14,1 milhões de famílias usaram ao menos uma vez a caderneta para ir às compras nos mercadinhos de bairro, padarias e açougues.

Já Raquel Ferreira, especialista em Conhecimento do Consumidor da consultoria Nielsen, afirma que “1,178 milhão de donas de casa compraram fiado ao menos uma vez ao longo de 2016 em todo o Brasil”.

Hoje já há software houses trabalhando com aplicativos para smartphones que substituem a caderneta em papel, como a do Seu Valdir. O controle passa a ser mais eficiente e a segurança e praticidade são maiores tanto para o comerciante quanto para o cliente.

Que cuidados devem ser observados para oferecer crédito nas cadernetas de fiado?

Em qualquer caso de oferta de crédito por conta e risco próprio do empreendedor, é imprescindível para o estabelecimento evitar inadimplências ou calotes na implantação do limite de crédito. Com ele é possível definir o valor máximo que o cliente poderá ter em aberto em relação às suas dívidas, a fim de evitar o não pagamento.

Como o controle é realizado pela própria empresa, algumas providências devem ser tomadas para minimizar o risco de ficar sem entradas de recursos no caixa.

Conheça cinco providências inadiáveis para mitigar os riscos da gestão de créditos

  1. Faça uma cuidadosa análise de crédito – Saber quem é o seu cliente é fundamental. Você pode optar por contratar instituições de análise de crédito como o Serasa, SPC Brasil ou Check Check. Uma busca cuidadosa no Google também ajuda a identificar se o seu cliente tem algum protesto contra ele (digite o nome completo entre aspas e faça a busca).
  2. Verifique referências de outras empresas – Não há problema algum em pedir ao cliente suas referências comerciais e de consumo em outros estabelecimentos. Ele não ficará constrangido, porque essa é uma prática comum no mercado.
  3. Comece concedendo um crédito baixo – O cliente fará a primeira compra e o relacionamento começará a se fortalecer. Conforme o histórico de compras e pagamento, o aumento de crédito poderá ser concedido de acordo com a relação de confiança entre as duas partes.
  4. Exija garantias – Para compras de alto valor como veículos, joias e imóveis, a prudência deve ser maior. Exija garantias aos seus clientes e previna-se de prejuízos que possam arruinar os resultados da sua organização.
  5. Invista em software de gestão – Se o gestor identificar melhor as nuances do fluxo de caixa e, ainda, programar com precisão as entradas e saídas de recursos, a estratégia de gestão de créditos se torna mais alinhada às necessidades da empresa. Conciliar a gestão do fluxo de caixa e a gestão de créditos é gerir riscos.

Uma solução como o UpGestão, permite que se ganhe tempo e eficiência na gestão financeira e do fluxo de caixa. Assim é possível obter uma visão sobre o momento financeiro da organização e fazer as projeções sobre os possíveis cenários entre receitas e despesas da empresa.

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